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Doadores de sangue têm direito a meia-entrada; lei de Luiz Carlos Martins

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Amauri Mello carrega a carteira para todos os lugares. Fotos: Arquivo familiar

Quem doa, recebe. É exatamente o que propõe a Lei Estadual (13.964/2002) que dá direito à meia-entrada aos doadores de sangue. A proposta que virou Lei é de Luiz Carlos Martins, que viu a importância em atrelar necessidades primordiais da vida à cultura.  A lei existe para os doadores de sangue registrados em hemocentro e bancos de sangue de hospitais do Estado (Lei Estadual 13.964/2002).

Para Luiz Carlos Martins, essa maneira de beneficiar o doador é vista como uma corrente. “Não vejo como um prêmio, não é isso. Mas sim a união da vida com a cultura”, justifica. Segundo ele, a sugestão para o projeto que virou lei veio direto do povo, e justamente por ele estar próximo daqueles que têm voz, conseguiu fazer do pedido uma lei.

A meia-entrada facilita acessos a teatros, cinemas, eventos culturais, educacionais, científicos, esportivos e de lazer. O valor a ser pago é metade do valor estipulado pela organização e, para adquiri-lo dentro da Lei, é preciso apresentar carteirinha ou documento que comprove a condições de doador.

“Você acredita que a pessoa vai doar sangue justamente para pagar meia? Claro que não. O grande objetivo é tomar conta e formar uma grande corrente pela vida”, acredita Luiz Carlos Martins.

Esse exemplo acontece, e muito. É o caso do motorista de transporte escolar Amauri Mello, 51 anos, que tem a carteirinha de doador e sempre aproveita o desconto para vários eventos. “Doo sangue de três em três meses, faço exames periódicos e me sinto confortável em saber que posso pagar meia-entrada em vários eventos. E, ao mesmo tempo, me sinto melhor ainda em saber que estou doando vida pras pessoas”, diz.

O recorde de carteiradas, de acordo com Mello, acontece em estádios de futebol e cinema. “Estive em Londrina no fim do mês e fiquei feliz em saber que lá estão cumprindo bem a lei. É uma lei que só faz o bem”, finaliza. Ganha quem recebe a doação e, sobretudo, estreita a ideia de que há esperança na política do bem.